Diário,  Mademoiselle

Sobre saltos e ruas esburacadas…

Foto: We Heart It

Não é fácil ser mulher. Nunca foi. 
Mas, hoje quero falar sobre as dificuldades de ser mulher em uma grande cidade, como São Paulo.
Quem aqui anda de salto alto todos os dias?
As meninas que disseram sim mentalmente ao ler minha pergunta, provavelmente, já lembraram automaticamente da dor nas pernas e nos pés ao fim do dia.
Não bastasse já não ser a coisa mais naturalmente confortável possível, ainda temos que lutar contra o estado lamentável de nossas ruas.
Não sei vocês mas, eu admiro e tiro meu chapéu para as mulheres que, mesmo sem qualquer conforto extra como um carro ou possibilidade de andar de táxi pela cidade, tenham o salto alto como parte integrante de seu dia-a-dia.
Há algum tempo, venho desistindo deles. Ou melhor, os deixando de lado para ocasiões especiais como férias, folgas e fins de semanas. 
Minha rotina começa cedo, 5AM. E termina tarde, quase sempre perto da meia noite ou uma hora da manhã. Não tenho carro e nem gasto rios de dinheiro pegando táxis diários. Eu faço parte da parcela de população que usas cada centímetro da calçada, todos os dias. Pego ônibus, metrô e trem pra chegar ao trabalho, pra ir à aula da minha pós e também, muitíssimas vezes, pra ir aos eventos que relato aqui no blog. Tenho 24 anos e, desde que consigo me lembrar, amo um saltão.

Mas, simplesmente, não consigo mais integrá-los ao meu dia-a-dia. 

As ruas da cidade destroem meus saltos em poucos dias de uso. Elas me fazem forçar mais ainda meus pés para evitar quedas em seus desníveis e incham meus pés. Elas esfolam minhas plantas do pé.
E não são apenas as ruas que tem esse poder destrutivo. Transporte público, em horário de pico, definitivamente não combina com o estilo mulherzinha de vestir: saias, meias e saltos. Eles entram em um conflito. De um lado a super lotação de um e do outro a delicadeza de outro. Um deles vai sair machucado desse encontro e, sempre tende a ser o lado delicado: as roupas, os saltos, os pés, a mulher. 
E apesar de saber que todas, absolutamente todas, as minhas leitoras tem no mínimo consciência dessa situação, eu precisava escrever isso aqui. Pra desabafar. Pra compartilhar. Pra desejar. Desejar que um dia, as próximas gerações possam andar livremente pela cidade com saltos e roupas delicadas. Sem sofrer bullying da própria estrutura da cidade.

Meu nome é Camilla Carvalho. Sou jornalista, produtora de conteúdo e autora deste blog, onde compartilho fragmentos do meu cotidiano e inspirações de estilo de vida. Meu coração vive em dois lugares: na França, que é meu lar em todas as versões de mim, e no Brasil, onde estão raízes profundas — amigos, gatos e família. Este espaço é um convite para dividir descobertas, sentimentos e beleza com leveza. Bienvenue et soyez chez vous.

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