Diário,  Mademoiselle

Sobre ser feliz, e fashion, em dias de chuva…

Quando eu era menina, coisa de 6 ou 7 anos, uma das coisas que eu mais gostava era quando chovia. Eu saía correndo pelo quintal e corredores externos de casa, tomando chuva, cantarolando… eu realmente acreditava que podia me conectar com Deus através de cada gota que tocava meu rosto. E o mais delícia era depois dessa diversão toda, poder entrar e tomar um banho bem quentinho, colocar meus pijamas e tomar o mingau quentinho da minha mãe, vendo desenho na TV. Aí eu comecei a crescer e os compromissos da vida adulta me fizeram passar do amor ao ódio, no quesito chuva. Não, eu não odeio a chuva em si. Eu odeio todo o transtorno que ela me traz. Antes, em dias de chuva, meu pai me levava sequinha até a escola. E minha mãe garantia que eu ficasse quentinha depois de brincar. Hoje?

Fotos: WeHeartIt

Bem, hoje eu tenho que armar um esquema de guerra em dias de chuva. Um look que teoricamente me mantenha sequinha ao longo do dia. Tecidos que sequem com facilidade, em caso de chuvas de vento. Mas que me mantenham aquecida, pois eu tenho a maior facilidade em ficar gripada. E na correria dessa vida, ficar gripada só aumentaria o stress de saber que as coisas todas estão acumulando mais e mais. Salto alto? Nem pensar. Correr de salto na chuva com bolsa, note, lancheira e guarda-chuva é pedir pra levar aquele tombo. Aqueles, que Murphy adora. Saia depende mas, tem que ser de um tecido que não voe facilmente, pois você estará com as mãos ocupadas em segurar as suas coisas e manter o guarda-chuva erguido. Bolsa e pastas impermeáveis para proteger os objetos pessoais e de trabalho, para que nada chegue ensopado ao seu destino. Um café da manhã reforçado pra dar ânimo de sair de casa, mas não tão farto que te dê vontade de voltar a dormir quando acabar. Um creminho, uma tiara ou presilhas, para o caso do cabelo se rebelar. Um guarda-chuva gigante, pra não correr nenhum risco de me molhar. Ah! E botas. Molinhas, confortáveis e de preferência, de cano alto. Que é pra manter as pernas secas e aquecidas. Uma boa dose de paciência para enfrentar a muvuca, o trânsito e o mau humor. Meu e dos outros. Porque eu não conheço ninguém que more em São Paulo, que vá ao trabalho de condução e goste de dias chuvosos. Nesses dias, a chuva só atrapalha. E por mais que eu queira jogar tudo pro alto e sair sentindo suas gotas me tocarem em velocidades e com forças diversas, eu respiro fundo e tento manter alguma esperança de um dia voltar a apreciar os dias de chuva, tanto quanto aquela menina de seis anos apreciava. 

– Chuva, só peço que caia devagar…

Meu nome é Camilla Carvalho. Sou jornalista, produtora de conteúdo e autora deste blog, onde compartilho fragmentos do meu cotidiano e inspirações de estilo de vida. Meu coração vive em dois lugares: na França, que é meu lar em todas as versões de mim, e no Brasil, onde estão raízes profundas — amigos, gatos e família. Este espaço é um convite para dividir descobertas, sentimentos e beleza com leveza. Bienvenue et soyez chez vous.

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